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Escalas de valor

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João Crisóstomo Posted: 28 Feb 2018 14:23

Boa tarde. 

O assunto que trago poderá não ser consensual. 

Quando tentei trocar o último fumarento por um híbrido (estou a falar do Mercedes 270 turbo de 2001) o vendedor disse uma frase que me ficou: têm de se colocar no lugar de quem vai comprar o seu carro. Efectivamente eu não me estava a colocar no lugar do outro, mas no meu. E dado que estava a vender um carro que me tinha custado os olhos da cara, sentia-me no direito de pedir um valor alto. Depois estava apaixonado pelo carro, e isso não permite ver claro.

Falo neste assunto porque também por aqui tenho encontrado amigos que, na hora de se desfazerem dos companheiros de estrada, ou não o conseguem ou hipervalorizam os ditos. 

Sei a dificuldade que é abrir mão do que se ama. Entretanto, como dizia o meu avô, um bom negócio só o é se for bom para todos. Ora é aqui que está o busílis. Quando finalmente consegui vender o 270 pedi um preço miserável para facilitar e poder comprar o híbrido que hoje conduzo. 

Estou arrependido? Claro que não. A era dos Mercedes na minha vida tinha terminado com a consciência de que poluir para nos podermos mover não pode ser a solução. Ponto final! 

O Prius que negociei para a minha irmã só foi possível  por custar 7250k. Mais uns milhares e nada feito. De onde me interrogar.

Abraço 

Crisóstomo 

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João Crisóstomo:

O assunto que trago poderá não ser consensual. 

Boa tarde Crisóstomo,

Não o é de certeza, pois a área do marketing e venda estuda-o à imenso tempo e ainda existem imensas correntes de pensamento sobre o mesmo.

O que sabemos até hoje e levamos mais ou menos como certo*:

  1. As crianças/jovens são os maior influenciadores da compra, seguido das mulheres;
  2. Um percentagem grande de compras são feitas por impulso;
  3. 90% das compras também são feita associadas a sentimentos deixando a restante percentagem para a razão.

Como tal, é fácil entender o seu ponto de vista. Mas também há que juntar a este rol, a parte de negociação e ética, que nos permite fazer os tais "bons negócios".

*"Administração de marketing,  Philip Kotler, Kevin Lane Keller, 2006".

Bruno R. Almeida

 

PRIUS 2G (Ago 2009 a Nov 2017)   

Leaf mk1 (Fev 2018 a ...) 13.28 kWh/100km

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Bruno Almeida:

João Crisóstomo:

O assunto que trago poderá não ser consensual. 

 

Boa tarde Crisóstomo,

Não o é de certeza, pois a área do marketing e venda estuda-o à imenso tempo e ainda existem imensas correntes de pensamento sobre o mesmo.

O que sabemos até hoje e levamos mais ou menos como certo*:

  1. As crianças/jovens são os maior influenciadores da compra, seguido das mulheres;
  2. Um percentagem grande de compras são feitas por impulso;
  3. 90% das compras também são feita associadas a sentimentos deixando a restante percentagem para a razão.

Como tal, é fácil entender o seu ponto de vista. Mas também há que juntar a este rol, a parte de negociação e ética, que nos permite fazer os tais "bons negócios".

*"Administração de marketing,  Philip Kotler, Kevin Lane Keller, 2006".

Bruno R. Almeida

 

Boa tarde,

Ou seja : mais que seres racionais, somos instintivos. Nada de novo debaixo do céu, e já por cá andamos há uns bons milhões de anos.

Mais que a compra interessa - me a venda. Porque é aí que o pequeno animal egocêntrico acorda. Descobri-lo dentro de mim, confrontá-lo, não foi fácil na venda do Mercedes. Desde então estou mais atento. Foi isso, mais do que qualquer outra coisa, que quis partilhar.

Abraço 

Crisóstomo 

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Não é assunto fácil, claro.

Pessoalmente, tenho a perceção que o valor de mercado nunca é o que atribuímos ao bem que pretendemos vender.

Nessa ótica, no que diz respeito a viaturas, tento comprar BEM para não ter de vender, ou seja, as viaturas andam cá por casa foram escolhidas para rolar até ao colapso. E de facto, com centenas de milhares de km, até agora, a noção de custo de posse é a mais baixa possível. Ficam porém os pés de fora: a segurança ativa/passiva e o ambiente, porque a prazo existirão melhores ofertas mais ecológicas e mais seguras. É o custo da obsolescência...

 

Branca de Neve 30% são minha autoria...

Planeta: CO2

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Compartilho a tua opinião. Quando fui dar o meu Toyota Avensis à troca pelo Auris fiquei desolado quando me disseram que o mesmo só valia 500 a 750€. Eu sei que o carro tinha 17 anos e 200 mil kms, mas o motor tava impecável e fiquei muito apegado ao mesmo. Foram 4 anos e 50 mil kms feitos nele sem problemas de maior. Senti uma tristeza quando o deixei, mas acredito que me sentiria pior se me tivessem dado os 500 a 750€ que diziam que valia. Quase que mais valia vendê-lo às peças Stick out tongue

Toyota Auris HSD 2017 Spritmonitor.de

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Telmo Salgado:

Não é assunto fácil, claro.

Pessoalmente, tenho a perceção que o valor de mercado nunca é o que atribuímos ao bem que pretendemos vender.

Nessa ótica, no que diz respeito a viaturas, tento comprar BEM para não ter de vender, ou seja, as viaturas andam cá por casa foram escolhidas para rolar até ao colapso. E de facto, com centenas de milhares de km, até agora, a noção de custo de posse é a mais baixa possível. Ficam porém os pés de fora: a segurança ativa/passiva e o ambiente, porque a prazo existirão melhores ofertas mais ecológicas e mais seguras. É o custo da obsolescência...

 

Bom dia, 

O meu primeiro foi o famoso 190 da Mercedes. Comprei-o a um casal que o tinha ido buscar a Munique. Caixa automática, suave, potente (era a versão sport 2.5 td) fiz com ele coisas inimagináveis. Na verdade explorei a condução e o país, sobretudo o Alentejo. Por estradas e estradinhas fui onde alguns só vão de jipe. Inevitavelmente meti-me em alhadas mas o carro aguentava tudo. E ficamos amigos para sempre.

Quando o vendi senti-me a atraiçoar um amigo. E foi complicado. O interessado, para me vincular, vêm de Coimbra e traz um cheque visado. Hesito e ele insiste em me deixar o cheque como um sinal. Fiquei sem argumentos. Ainda não se tinham passado três dias e já estava arrependido. Tarde demais. Nunca mais vi o carro ou o comprador. Liguei - lhe para saber do carro? Está bem. E ficamos assim. 

OH, também pensei em o encostar. Mas o dinheiro fazia falta e tive de ir pelo caminho da venda. Se andasse para trás teria vendido? Absolutamente não! Que se danassem os consumos, os gastos constantes em oficina, a pintura. Antes oferecê-lo a um amigo, ou deixá-lo morrer suavemente, que abandoná-lo à cobiça alheia. 

Não é uma história edificante. Nem bonita. 

Abraço 

Crisóstomo 

 

 

 

 

Top 10 Contributor
EV
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Há o valor real de um bem e o valor emocional. O dilema, enquanto vendedores, é esquecer o lado afectivo. Se pudesse não teria vendido nenhum dos carros que já tive, e seriam 6 carros para manter. Impensável! Mas já vendi 3, perdi dinheiro nos 3, mas penso ter vendido por um preço justo. Se achava, na altura que os vendi, que eles valiam mais? Com certeza que sim, mas o mercado não funciona em função da ligação emocional ao carro.

Top 100 Contributor
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Clube 1100 km

Não há como separar totalmente o coração da razão na hora da tomada de decisão, por muito que pensemos que sim.
Somos seres emocionais, e pensamos sempre como teria sido se tivéssemos tomado uma decisão diferente do que a que, efectivamente, tomamos. Até a nossa memória tende a exagerar positivamente o recordar de eventos passados que guardamos com afecto. 
As conclusões desta conversa fez-me lembrar um antigo anuncio do Ikea...

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